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walkoutthedoor
21 August 2008 @ 11:50 am
Acho que, em toda a história cultural da humanidade, nunca houve tanta banalização da arte. Qualquer um escreve, canta e atua - só para citar suas formas mais populares. O Latino deve ser um dos artistas que mais lucram no Brasil, assim como mocinhos de olhos azuis ganham o centro das tramas das novelas e as prateleiras das livrarias são inundadas por livros do Augusto Cury e, meu Deus, Paulo Coelho.

Pois tudo isto é uma questão de gosto e, digamos, ângulo. Por um lado, nenhuma lei proíbe que os mais (ou menos) criativos artisticamente se expressem, e esta constitui a base da democracia - você sabe, liberdade de expressão, coisa e tal. Por outro, existe um padrão que dita quem é mais afinado, interpreta ou escreve melhor, e isto é fato. Aliás, ele existe porque nem o mais estúpido dos seres humanos gosta de ler, assistir ou ouvir porcarias o resto da vida.

Mas, como eu disse, tudo depende do seu gosto. O meu, por exemplo, repudia grande parte da cultura popular. Querendo ser diferente? Talvez. Mas gosto não se explica. Eu não saberia dizer porque não gosto de axé (sim, isso inclui a Ivete), funk, pagode e mais um montão de ritmos musicais. Gosto, sim, de um bom rock e, veja só, até pop. Se quanto a música eu não sou eclética, para filmes e livros sou ainda menos.

Nas locadoras da minha cidade, sou conhecida como "a do-contra". Quando devolvo um filme, o atendente pergunta: "Gostou?", e se eu respondo que sim, ele já sabe que o filme provavelmente não terá uma boa aceitação pelo público em geral, e se eu digo que não é totalmente o oposto: o povo adora.

Não importa o quanto você me diga, por exemplo, que hoje o mercado literário é mais liberal que antigamente. Não é qualquer um que sabe escrever, e eu bem sei disso - quantas tentativas frustradas de fazer o meu próprio roteiro... E, que me desculpem os que gostam de Paulo Coelho, mas, sinceramente, pra mim ele escreve um monte de baboseiras para ganhar dinheiro, assim como os inúmeros psicólogos adentrando o mercado da auto-ajuda.

Todo esse blá-blá-blá para dizer que eu comprei, atrasada, Mais Comédias para Ler na Escola e estou amando. Aliás, estou com Zodiac (que originou o filme com o Jake e o Bob Downey) na fila de espera para ler e ainda enrolo para ler o livro do Verissimo, por pena de acabar. Pelo menos eu tenho um consolo: eu demorei tanto para comprar este que ele já lançou outro, que comprarei logo, logo.

O Verissimo pode não ser, como muitos dizem (e eu timidamente discordo), tão bom quanto o pai, Erico, ou, se é pra comparar, Carlos Drummond de Andrade, Guimarães Rosa ou Machado de Assis, mas ele é, sim, o mais talentoso cronista atualmente, pois é um dos poucos que vê a sociedade brasileira, em sua totalidade, com olhos tanto tenros quanto irônicos, e traduz esta visão em textos curtos e incrivelmente divertidos. E divertir o brasileiro ao ler sobre sua própria sociedade é um feito e tanto, do jeito que a situação se encontra.

É por isso que, desde os 13 anos, este é o único autor que me faz querer muito ler um livro, e, é claro, é o que mais tive prazer em conhecer.

Quer ler Verissimo também? Clica aqui, oh. =)
 
 
Current Mood: disappointed
Current Music: Death Cab for Cutie - Crooked Teeth
 
 

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